Problema crônico não escolhe setor.
Onde existe processo e indicador, o MASP resolve — desperdício na produção, parada de máquina, retrabalho, atraso de entrega, fila, glosa. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Relatório MASP fechado.
Redução de Glosas nas Medições de Obra Faturadas a Clientes Corporativos
Financeiro — Faturamento de Obras B2B · Fev/2026 – Jul/2026
Planejar
1 em cada 7 medições voltava glosada: o teste das hipóteses sobre 111 apontamentos comprovou 3 causas de método — e derrubou a “culpa do apontador” com dados.
O Financeiro do Grupo Altavia fatura cerca de 130 medições de obra por mês a clientes corporativos, e 14,2% voltavam glosadas, empurrando o PMR para 61 dias. Camila Nogueira, líder de Contas a Receber, rodou o MASP (Método de Análise e Solução de Problemas) com engenharia, contratos, fiscal e faturamento. A folha de verificação de 8 meses quantificou a anomalia; a estratificação dos 111 apontamentos do trimestre mostrou 62% das glosas em contratos com aditivo e 70% em medições montadas nos últimos 3 dias úteis. No Genba (local real), a análise testou as hipóteses uma a uma: a “culpa do apontador” caiu, e três causas de método foram comprovadas, responsáveis por 81% dos apontamentos. O plano 5W2H saiu com 7 contramedidas de bloqueio, dono e prazo.
P1 Qual problema foi escolhido — e por que ele, e não outro?
O problema escolhido foi a taxa de medições de obra glosadas pelos contratantes B2B: 14,2% das cerca de 130 medições mensais (tíquete médio de R$ 210 mil, ~R$ 27,3 milhões/mês) voltavam com glosa. Ele venceu a priorização da área porque era a anomalia de maior impacto no caixa: ~R$ 3,9 milhões por mês entravam no ciclo de reapresentação de 23 dias, o PMR da carteira estava em 61 dias e o retrabalho mobilizava 3 equipes — nenhum outro problema do Financeiro combinava perda dessa ordem com um processo inteiramente sob nossa gestão.
P2 Qual é o indicador do problema — e qual a baseline e a perda que ele causa hoje?
O indicador é o percentual de medições glosadas sobre o total emitido, medido por censo de 100% das medições. A baseline de 8 meses (jun/2025 a jan/2026) mostrou 13,8%, 15,1%, 14,0%, 14,6%, 13,5%, 14,9%, 13,9% e 14,2% — média de 14,2%, patamar alto e estável. A perda: cerca de 18 medições/mês glosadas, ~R$ 3,9 milhões com recebimento adiado em média 23 dias por ciclo, custo financeiro de ~R$ 240 mil/ano e ~R$ 100 mil/ano de retrabalho das equipes de engenharia, contratos e faturamento.
P3 Qual é a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo)
Reduzir a taxa de medições glosadas no faturamento de obras B2B de 14,2% para 6% (queda de 58%) até 31/07/2026 — sem renegociar contratos vigentes, mantendo o calendário de faturamento e com orçamento aprovado de R$ 15 mil. A meta foi pactuada com o patrocinador, Eduardo Vilela, da Diretoria Administrativo-Financeira.
P4 Onde, quando e como o problema aparece? (estratificação)
A estratificação do trimestre nov/25 a jan/26 (111 apontamentos de glosa em 55 medições) mostrou onde e quando a anomalia aparece: 62% das medições glosadas estavam em contratos com aditivo em andamento e 70% foram montadas nos últimos 3 dias úteis do fechamento. Por motivo, o Pareto apontou quantitativo divergente da memória de cálculo (40 apontamentos, 36%), documentação obrigatória incompleta (31, 28%), item sem aditivo formalizado (19, 17%), erros de impostos e retenções (12) e outros (9).
P5 O problema foi observado no local (Genba), com folha de verificação e fotos?
Sim. A equipe foi ao Genba acompanhar a montagem de medições reais nos contratos-âncora 2041 e 1987, com folha de verificação estruturada e registro fotográfico dos boletins e das planilhas paralelas por obra. Antes de confiar na medição do indicador, três avaliadores classificaram 30 medições históricas e concordaram em 93% dos casos, validando o critério. A observação flagrou a medição sendo montada em 1 dia, no aperto do fechamento, sem conferência contra a memória de cálculo.
P6 Que padrões a observação revelou — e qual é o problema focalizado?
A observação revelou três padrões: a glosa se concentra em medições montadas às pressas nos últimos 3 dias úteis (70%), em contratos com aditivo em tramitação (62%) e em itens apontados por estimativa, sem conferência contra a memória de cálculo. O problema focalizado ficou assim: glosas por quantitativo divergente e documentação incompleta nas medições montadas no fechamento, que somam 64% dos apontamentos — e chegam a 81% somando os aditivos não formalizados.
P7 Quais causas prováveis foram levantadas para o problema focalizado?
O Ishikawa do workshop de 14/04/2026 levantou causas prováveis em 6 categorias: método (medição montada em 1 dia, sem checklist nem dupla conferência; aditivo executado antes de formalizar), sistema (boletim não vinculado à memória de cálculo; planilhas paralelas por obra), mão de obra (apontadores sem treinamento no critério de medição), informação (memória de cálculo desatualizada; fotos e diário fora do padrão), medição (critério interpretado de forma diferente entre obra e fiscalização) e ambiente (concentração no fim do mês).
P8 Como as hipóteses foram testadas com dados — e quais foram descartadas?
Cada hipótese foi confrontada com os 111 apontamentos classificados. Duas caíram no teste: “apontador despreparado” foi descartada porque a reclassificação das 55 medições glosadas mostrou o mesmo erro em todas as equipes de apontamento — e os mesmos apontadores não geravam glosa quando havia conferência, apontando método, não pessoa; e “parametrização fiscal do ERP” foi descartada como causa vital, porque impostos e retenções somavam só 12 de 111 apontamentos (11%). Sobreviveram ao teste as três hipóteses de método, confirmadas pela estratificação (62% aditivo, 70% últimos 3 dias úteis) e pelos 5 Porquês aplicados a três glosas reais no Genba.
P9 Qual é a causa raiz comprovada — e qual a evidência?
A causa fundamental comprovada é tripla, toda de método: (1) medição montada sem conferência contra a memória de cálculo — 40 dos 111 apontamentos (36%); (2) ausência de checklist documental por contratante — 31 (28%); (3) aditivos executados antes da formalização — 19 (17%). Juntas, respondem por 81% dos apontamentos (90 de 111). A evidência: o Pareto da folha de verificação, a estratificação e os 5 Porquês no Genba — como a medição nº 14 do contrato 2041, glosada em R$ 86 mil por quantitativo apontado por estimativa.
P10 Quais contramedidas foram planejadas pra bloquear a causa raiz? (5W2H)
O 5W2H fechou 7 contramedidas de bloqueio por R$ 12.400 dos R$ 15 mil orçados, cada uma travando uma causa comprovada: checklist digital de medição por contratante (bloqueia a documentação incompleta), dupla conferência contra a memória de cálculo (bloqueia o quantitativo divergente), calendário de formalização de aditivos com trava no boletim (impede item sem aditivo assinado) e janela de fechamento antecipada com envio até o dia 25 (elimina a montagem no aperto). Piloto marcado para o ciclo de maio/2026 nos 2 contratos-âncora, que somam 31% do faturamento.
P11 Quem faz o quê, até quando — e quais riscos e efeitos colaterais foram avaliados?
Cada ação saiu com dono e prazo: checklist digital com Juliana Melo, dupla conferência com André Sampaio, calendário e trava de aditivos com Luciana Prates e janela antecipada com Camila Nogueira — todas rodando no piloto de maio/2026. Riscos avaliados: a janela antecipada poderia pressionar o fechamento contábil (mitigada com calendário pactuado com as obras) e a trava de aditivos poderia postergar faturamento de item já executado (aceito: a glosa custava mais que a espera). Efeito colateral sob vigilância: manter o calendário de faturamento intacto.
Executar
Treinamento antes, execução registrada: o bloqueio entrou no ar no piloto de maio e fechou o ciclo em 6,8% por R$ 12,4 mil.
A fase de ação seguiu a regra do MASP: primeiro treinar, depois executar, registrando tudo. As 7 contramedidas do 5W2H rodaram em piloto no ciclo de medição de maio/2026, nos contratos-âncora 2041 (centro de distribuição em Extrema/MG) e 1987 (expansão hospitalar em Vitória/ES), 31% do faturamento. Entraram em operação o checklist digital por contratante, a dupla conferência contra a memória de cálculo, a trava que impede item sem aditivo assinado de entrar no boletim e a janela de fechamento antecipada. O único desvio do plano — dúvidas dos apontadores sobre o critério de medição — foi tratado com reforço de treinamento obra a obra. O piloto fechou em 6,8% de glosas, dentro do critério de até 8%, e o pacote foi escalado aos 34 contratos em junho, por R$ 12.400 dos R$ 15 mil orçados.
D1 Como o plano foi executado — o que foi feito, e quando?
O plano foi executado por completo: as 7 contramedidas do 5W2H consumiram R$ 12.400 dos R$ 15.000 orçados. O checklist digital por contratante, a dupla conferência contra a memória de cálculo, a trava de aditivos no boletim e a janela de fechamento antecipada rodaram juntas no piloto do ciclo de maio/2026, nos contratos 2041 e 1987 (31% do faturamento), cada ação com o dono definido no plano. Após validação com o patrocinador em 05/06, o pacote foi escalado aos 34 contratos no ciclo de junho.
D2 Como o time foi comunicado e treinado antes da execução?
Antes de o piloto começar, os engenheiros e apontadores das obras B2B foram treinados no checklist, no critério de medição e na dupla conferência, com registro de presença arquivado. As equipes de contratos, fiscal e faturamento foram comunicadas formalmente sobre a trava de aditivos e a janela antecipada, e os POPs (Procedimentos Operacionais Padrão) do novo jeito de trabalhar foram publicados em 10/07/2026, consolidando o padrão treinado.
D3 Quais desvios do plano ocorreram — e o que foi feito com eles?
Um desvio de percurso: as primeiras duplas conferências do piloto mostraram dúvidas dos apontadores sobre o critério de medição de cada contrato. O desvio foi registrado e tratado na hora, com um reforço de treinamento no local, obra a obra, antes de escalar o pacote. As demais ações seguiram o plano, sem mudança de escopo, prazo ou orçamento.
D4 Quais evidências documentam a execução?
A execução ficou documentada nas folhas de verificação de cada medição, nos boletins com a trava de aditivos aplicada, nos registros de aceite e glosa no ERP (sistema de gestão integrado) e nas listas de presença dos treinamentos. O resultado do piloto ficou registrado: 6,8% de glosas no ciclo de maio/2026, contra 14,2% do baseline, dentro do critério de sucesso de até 8%.
Checar
Na mesma régua do baseline: 5,9% consolidado, meta de 6% superada, sem nenhuma recorrência ao patamar antigo.
A verificação comparou antes × depois na mesma régua da baseline: o censo de 100% das medições, com o mesmo critério validado pelos três avaliadores. Nas 12 semanas entre o início do piloto e o encerramento (S19 a S30), a taxa de glosas ficou entre 4,8% e 7,0%, com patamar consolidado de 5,9% e as últimas 4 semanas abaixo de 5,6%. A meta de 6% foi atingida e superada — queda de 58% sobre os 14,2%. O teste decisivo do MASP passou: o bloqueio foi efetivo, porque a queda veio exatamente dos motivos bloqueados, e nenhuma semana voltou ao patamar antigo — não foi preciso retornar à etapa de Observação. O PMR recuou de 61 para 52 dias, tirando ~R$ 2,3 milhões/mês do ciclo de reapresentação, e o ganho de R$ 340 mil/ano será auditado pela Controladoria em jan/2027.
C1 Comparando antes × depois na mesma régua: qual foi o resultado?
Na mesma régua do baseline — censo de 100% das medições, mesmo critério de classificação —, a taxa de glosas saiu de 14,2% (média de 8 meses) para 6,8% no piloto e 5,9% no consolidado da carteira. Nas 12 semanas entre o início do piloto e o encerramento (S19 a S30), a carta de controle semanal mostrou o indicador entre 4,8% e 7,0%, com as últimas 4 semanas abaixo de 5,6%.
C2 A meta foi atingida — ou quanto dela? Qual o ganho, inclusive em R$?
A meta de 6% foi atingida e superada: a taxa caiu de 14,2% para 5,9%, redução de 58%. O PMR da carteira recuou de 61 para 52 dias, tirando ~R$ 2,3 milhões/mês do ciclo de reapresentação. O ganho é de R$ 340 mil/ano — R$ 240 mil de custo financeiro evitado e R$ 100 mil de retrabalho das 3 equipes —, a ser auditado pela Controladoria após 6 meses de sustentação, em jan/2027.
C3 O bloqueio foi efetivo — o problema parou de recorrer?
O bloqueio foi efetivo: a queda veio exatamente dos motivos atacados — quantitativo divergente e documentação incompleta (64% dos apontamentos) e aditivos não formalizados (com eles, 81%) —, o que liga o resultado às contramedidas, e não a acaso ou sazonalidade. Nenhuma semana das 12 monitoradas voltou sequer perto do patamar de 14,2%: o problema parou de recorrer e não foi necessário retornar à etapa de Observação, como o método exigiria se o bloqueio falhasse.
C4 Houve efeitos secundários, positivos ou negativos?
Os efeitos secundários foram positivos ou neutros: o calendário de faturamento foi mantido, o envio antecipado até o dia 25 foi cumprido e o retrabalho das 3 equipes caiu junto com as glosas. Nenhum efeito negativo apareceu. Ficou registrado o residual: os motivos menores do Pareto — erros de impostos e retenções (12 apontamentos) e outros (9) — seguem existindo e são candidatos ao próximo giro do MASP.
Agir
POP publicado, OJT registrado e item de controle na gestão à vista: o padrão segura o ganho e o relatório fecha o QC Story.
A padronização travou o ganho: POPs de montagem de medição com checklist por contratante, de dupla conferência, do fluxo de aditivos com trava no boletim e do calendário antecipado foram publicados em 10/07/2026 e treinados no posto de trabalho (OJT — On the Job Training), com registro. O item de controle — taxa de glosas — segue em carta de controle semanal no quadro de gestão à vista (linha central 5,9%, limite superior 8,4%), com plano de reação e contenção em 48 horas se uma semana estourar o limite. Em 31/07/2026 a gestão passou para Patrícia Fonseca, dona formal do processo. A conclusão registrou o aprendizado central do método: a causa “óbvia” (apontador) caiu no teste com dados — no MASP, hipótese não comprovada não vira contramedida. O próximo ataque já tem alvo: os erros de impostos e retenções do Pareto.
A1 Qual POP foi criado ou revisado — e o que exatamente mudou nele?
Quatro padrões foram criados ou revisados e publicados em 10/07/2026: POP de montagem de medição com o checklist digital por contratante, POP de dupla conferência contra a memória de cálculo (100% nos contratos-âncora, 30% amostral nos demais), POP do fluxo formal de aditivos com trava no boletim e o calendário de fechamento antecipado. O que mudou na essência: a medição, antes montada em 1 dia sem conferência, passou a ser conferida contra requisitos por cliente antes do envio — o bloqueio da causa virou rotina escrita.
A2 Quem executa o processo foi treinado no novo padrão (OJT), com registro?
Sim, com registro: os engenheiros e apontadores das obras B2B foram treinados no novo padrão no próprio posto de trabalho (OJT — On the Job Training), obra a obra, com listas de presença arquivadas — incluindo o reforço de critério de medição feito durante o piloto. As equipes de contratos, fiscal e faturamento foram treinadas nos POPs de aditivo e calendário antes da escalada aos 34 contratos.
A3 Qual controle garante que o resultado se mantém?
O item de controle é a taxa semanal de glosas, acompanhada em carta de controle simples (linha central 5,9%, limite superior 8,4%, inferior 3,4%) no quadro de gestão à vista, com itens de verificação por ciclo: 100% de adesão ao checklist, dupla conferência executada, zero item sem aditivo formalizado e 80% das medições enviadas até o dia 25. O plano de reação tem 4 gatilhos — semana acima de 8,4% aciona contenção em 48 horas; 7 semanas acima de 5,9% disparam diagnóstico; glosa em contrato-âncora exige tratativa no mesmo dia; item fora do padrão bloqueia o envio da medição. Desde 31/07/2026 a dona do processo é Patrícia Fonseca, da Gerência de Contas a Receber, com revisão mensal nos 3 primeiros meses.
A4 Quais problemas remanescentes ficaram — e qual o próximo ataque?
Remanescem os motivos menores do Pareto: erros de impostos e retenções (12 apontamentos) e outros (9), que não foram atacados neste giro. O próximo ataque do MASP começa pelos impostos e retenções, e o formato já foi apresentado ao braço Altavia Hotéis para os contratos de reforma. A auditoria do ganho de R$ 340 mil/ano pela Controladoria está agendada para jan/2027.
A5 Qual o balanço do aprendizado — sobre o problema e sobre o método?
Sobre o problema, aprendemos a tratar a medição como um produto com requisitos específicos por cliente — quantitativo, documentos, aditivos, impostos —, conferido antes do envio, e não depois da glosa. Sobre o método, a lição maior: a hipótese em que todos apostavam (apontador despreparado) caiu no teste com os 111 apontamentos — se tivéssemos agido pela opinião, teríamos treinado pessoas e mantido a causa viva. O relatório foi arquivado na pasta de projetos da qualidade e apresentado à liderança, fechando o QC Story (relato de projeto de qualidade).
Com a causa raiz bloqueada na origem — checklist por contratante, dupla conferência contra a memória de cálculo e trava de aditivos —, a taxa de medições glosadas caiu de 14,2% para o patamar consolidado de 5,9% (últimas semanas entre 4,8% e 5,6%), superando a meta de 6% na mesma régua do baseline: o censo de 100% das medições. A glosa por quantitativo e documentação parou de recorrer, o PMR (Prazo Médio de Recebimento) recuou de 61 para 52 dias e o ganho de R$ 340 mil/ano, entre custo financeiro evitado e retrabalho de 3 equipes, será auditado pela Controladoria após 6 meses de sustentação.
Pronto pra resolver o problema crônico da sua área?
Use este case como referência de profundidade — quantifique o problema, prove a causa raiz com dados, verifique o bloqueio na mesma métrica e padronize pra ele não voltar.
