Problema crônico não escolhe setor.
Onde existe processo e indicador, o MASP resolve — desperdício na produção, parada de máquina, retrabalho, atraso de entrega, fila, glosa. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Relatório MASP fechado.
Redução do Sobrepeso de Envase (Giveaway) na Linha de Biscoitos 02
Produção — Envase de Biscoitos · Jul/2026 – Dez/2026
Planejar
A observação no Genba desmontou a explicação fácil: não era a “massa do dia”, eram 4 bicos desgastados e um padrão de setup defasado dando R$ 117 mil/mês de biscoito de graça.
A linha 02 envasa 420 t/mês de biscoitos em pacotes de 350 g e 400 g, e cada pacote saía com 3,4% de peso a mais do que o declarado: 14,3 t/mês entregues de graça, R$ 1,4 milhão/ano. Como líder, priorizei essa anomalia por ser a maior perda mapeada da área e abri o MASP (Método de Análise e Solução de Problemas) com meta de 1,4% até 11/12/2026. A estratificação por bico, turno e produto focalizou o problema: bicos 5 a 8 e primeiras horas pós-troca, com picos de 4,9%. No Genba, a folha de verificação registrou 214 ajustes manuais em 4 semanas. Testamos as hipóteses com dados: balança descalibrada, densidade do biscoito e clima da sala foram descartadas; desgaste das vedações (retardo de 0,3 s medido) e setup que induzia superdosagem foram comprovadas — juntas, 70,1% das ocorrências no Pareto. O plano 5W2H fechou 7 contramedidas por R$ 15,1 mil, dentro do teto de R$ 25 mil.
P1 Qual problema foi escolhido — e por que ele, e não outro?
Escolhi o sobrepeso de envase da linha 02 porque era a maior perda mapeada no levantamento de anomalias da Produção: R$ 117 mil todo mês saindo de graça dentro dos pacotes, um problema crônico desde jan/2025 que ninguém enxergava no dia a dia. Na priorização com a equipe, ele ficou em 1º lugar entre os 5 problemas da área — perda alta, recorrente e ao alcance do nosso time, sem depender de projeto de engenharia nem de fornecedor.
P2 Qual é o indicador do problema — e qual a baseline e a perda que ele causa hoje?
O item de controle é o sobrepeso percentual sobre o peso declarado, apurado pela balança automática que pesa 100% dos pacotes. A baseline de 18 meses (jan/2025 a jun/2026) é de 3,4%, com picos de 4,9%. A perda: 14,3 t/mês de biscoito entregue de graça, R$ 117 mil/mês, R$ 1,4 milhão/ano — custo que a Controladoria paga sem nenhum benefício para o consumidor.
P3 Qual é a meta do projeto? (objetivo + valor + prazo)
Reduzir o sobrepeso médio de envase da linha 02 de 3,4% para 1,4% — queda de 59% — até 11/12/2026, mantendo a conformidade do peso declarado (zero subpeso) e a produtividade atual da linha. Orçamento aprovado pelo patrocínio: até R$ 25 mil.
P4 Onde, quando e como o problema aparece? (estratificação)
Estratifiquei os dados da balança automática por bico, turno, produto e momento da produção, numa coleta dedicada de 4 semanas (10/08 a 04/09/2026). O problema não era espalhado: concentrava-se nos bicos 5 a 8 da envasadora e nas primeiras horas após cada troca de produto, quando o sobrepeso batia 4,9%. Os formatos de 350 g e 400 g (88% do volume) apresentavam o mesmo padrão, e a variação típica era de 6,8 g por pacote.
P5 O problema foi observado no local (Genba), com folha de verificação e fotos?
Sim. Fui com a equipe para a linha acompanhar os setups e os registros da balança no momento em que aconteciam. Implantamos folha de verificação de ajustes manuais de dosagem, que registrou 214 ocorrências em 4 semanas com motivo, bico e horário, e fotografamos o estado das vedações dos bicos e o quadro de setup. Ver o operador superdosando “por segurança” logo após a troca valeu mais que qualquer relatório.
P6 Que padrões a observação revelou — e qual é o problema focalizado?
A observação revelou dois padrões: a deriva de dosagem estava sempre nos mesmos 4 bicos (5 a 8), e a instabilidade aparecia sempre logo após as trocas de produto, em qualquer turno. A média de 3,4% escondia isso — o problema focalizado ficou assim: sobrepeso concentrado nos bicos 5 a 8 e nas primeiras horas pós-troca, respondendo pela maior parte dos 214 ajustes manuais registrados.
P7 Quais causas prováveis foram levantadas para o problema focalizado?
No Ishikawa, levantamos com o time: desgaste das vedações e folga no atuador dos bicos (Máquina), setup sem ajuste fino e alvo de peso elevado “por segurança” (Método), ajuste na base da experiência individual e critérios diferentes entre turnos (Mão de Obra), variação de densidade do biscoito entre lotes (Material), calibração dos dosadores sem frequência definida (Medição) e variação de temperatura e umidade da sala (Meio Ambiente).
P8 Como as hipóteses foram testadas com dados — e quais foram descartadas?
Testamos cada hipótese contra os dados da folha de verificação e da balança. Balança descalibrada: aferição feita, apenas 16 das 214 ocorrências (7,5%) — descartada. Densidade do biscoito: estratifiquei o sobrepeso por lote e o excesso continuava nos mesmos 4 bicos em lotes de densidades diferentes, 28 ocorrências (13,1%) — descartada como causa principal. Clima da sala: sem correlação com os picos — descartada. Restaram duas hipóteses fortes: vedações desgastadas e padrão de setup defasado, que fomos comprovar no Genba.
P9 Qual é a causa raiz comprovada — e qual a evidência?
Duas causas fundamentais comprovadas. Na verificação em campo de 22/09/2026, encontramos desgaste severo nas vedações dos bicos 5 a 8, com retardo medido de 0,3 s no fechamento das válvulas — o plano de manutenção não previa a troca desse componente. Os 5 Porquês (22 e 24/09) mostraram que o padrão de setup, anterior à balança automática, levava os operadores a superdosar por segurança. O Pareto fechou a prova: deriva nos bicos 5 a 8 (43,0%) e instabilidade pós-troca (27,1%) somam 70,1% dos 214 ajustes.
P10 Quais contramedidas foram planejadas pra bloquear a causa raiz? (5W2H)
O plano 5W2H reuniu 7 contramedidas de bloqueio, R$ 15,1 mil no total: trocar as vedações dos bicos 5 a 8 (bloqueia a deriva na origem), revisar o padrão de setup com ajuste fino de peso por bico e definir novo alvo de peso por testes práticos de dosagem (bloqueia a superdosagem), implantar carta de controle por bico na balança automática e treinar os 3 turnos no novo padrão. Duas ideias saíram do plano por não bloquearem causa comprovada: classificar lotes por densidade e climatizar a sala.
P11 Quem faz o quê, até quando — e quais riscos e efeitos colaterais foram avaliados?
Cada ação com dono e prazo: Elaine Duarte (manutenção) troca as vedações (R$ 3,2 mil), Vagner Luz (operação) revisa o padrão de setup, eu conduzo os testes de dosagem do novo alvo (R$ 1,5 mil), Rafael Pinto (qualidade) implanta a carta de controle (R$ 8 mil) e o treinamento dos 3 turnos (R$ 2,4 mil) fecha em dez/2026. Riscos avaliados: subpeso ao baixar o alvo — mitigado com conferência de 20 pacotes por bico após cada troca — e perda de ritmo da linha, monitorada durante todo o piloto. Patrocínio de Patrícia Gomes (Gerência de Produção), teto de R$ 25 mil.
Executar
Time treinado antes, vedações novas e setup com ajuste fino por bico: o bloqueio entrou em piloto de 2 semanas nos turnos 1 e 2, com cada desvio anotado.
Executamos o plano na ordem que bloqueia a causa: primeiro o treinamento, depois a mudança física. Os operadores dos turnos 1 e 2 foram treinados no novo padrão de setup no próprio posto de trabalho, antes de qualquer alteração na máquina. Na sequência, Elaine substituiu as vedações dos bicos 5 a 8 (R$ 3,2 mil), Vagner colocou em prática o setup revisado com ajuste fino de peso por bico e os testes práticos definiram o novo alvo de dosagem (R$ 1,5 mil). Com as três contramedidas ativas, rodamos o piloto de 2 semanas nos turnos 1 e 2, vigiando peso declarado e produtividade. O único desvio do plano foi a amostra da conferência pós-troca, que começou menor e foi calibrada para 20 pacotes por bico. Tudo ficou registrado: balança, folha de verificação, ordens de manutenção e fotos de antes e depois.
D1 Como o plano foi executado — o que foi feito, e quando?
Executei o plano na sequência prevista: troca das vedações dos bicos 5 a 8 pela manutenção (Elaine, R$ 3,2 mil), setup revisado com ajuste fino de peso por bico (Vagner) e testes práticos de dosagem definindo o novo alvo (R$ 1,5 mil). Com as três contramedidas ativas, o piloto de 2 semanas rodou nos turnos 1 e 2, acompanhando o efeito combinado sem comprometer o peso declarado nem o ritmo da linha. O investimento se manteve em R$ 15,1 mil, dentro do teto de R$ 25 mil.
D2 Como o time foi comunicado e treinado antes da execução?
Antes de mexer na máquina, treinei com Vagner os operadores dos turnos 1 e 2 no novo padrão de setup, com orientação prática no próprio posto de trabalho, e comunicamos a mudança na reunião diária da linha. O treinamento completo dos 3 turnos (R$ 2,4 mil) ficou programado para dez/2026, junto com a divulgação do novo padrão no quadro de gestão à vista.
D3 Quais desvios do plano ocorreram — e o que foi feito com eles?
Um desvio de percurso: a conferência de pesos após cada troca de produto começou com amostra menor do que o necessário e não capturava a estabilização do início de produção. Calibramos para 20 pacotes por bico na balança automática, quantidade que se mostrou suficiente — e esse número acabou incorporado ao padrão. Nenhum outro desvio de prazo, custo ou escopo.
D4 Quais evidências documentam a execução?
A execução está documentada nos dados da balança automática (100% dos pacotes pesados), na folha de verificação dos ajustes manuais — mantida durante todo o piloto —, nas ordens de manutenção com registro obrigatório de componente e causa, nas listas de treinamento e nas fotos de antes e depois das vedações dos bicos 5 a 8.
Checar
Na mesma régua da baseline, o sobrepeso caiu de 3,4% para 1,6% em 2 semanas — sem subpeso, sem perda de ritmo e sem a anomalia voltar nos bicos bloqueados.
A verificação usou exatamente o mesmo item de controle e a mesma forma de medir da baseline: o sobrepeso percentual apurado pela balança automática. O piloto de 2 semanas nos turnos 1 e 2 derrubou o indicador de 3,4% para 1,6% — queda de 53% —, sem nenhuma ocorrência de subpeso e com a produtividade mantida. A prova de que o bloqueio foi efetivo está no onde: a melhora se concentrou nos bicos 5 a 8 e nas primeiras horas pós-troca, exatamente os pontos das causas comprovadas, e os ajustes manuais por deriva praticamente sumiram da folha de verificação. A trajetória é compatível com a meta de 1,4% até 11/12/2026, que depende da carta de controle por bico e do treinamento do 3º turno. Ganho estimado validado pelo Financeiro: R$ 826 mil/ano, payback de 2 meses sobre os R$ 15,1 mil.
C1 Comparando antes × depois na mesma régua: qual foi o resultado?
Comparei antes × depois na mesma régua: mesma balança automática, mesmo indicador, mesma forma de apurar. O sobrepeso médio caiu de 3,4% (baseline de 18 meses) para 1,6% no piloto de 2 semanas — queda de 53% —, sem nenhuma ocorrência de subpeso e com a produtividade da linha igual à anterior.
C2 A meta foi atingida — ou quanto dela? Qual o ganho, inclusive em R$?
A meta é 1,4% e o piloto chegou a 1,6%: cerca de 90% do caminho percorrido, com trajetória compatível com a meta até 11/12/2026. O ganho estimado é de R$ 826 mil/ano em produto recuperado, validado pelo Financeiro em 06/07/2026, com payback de 2 meses sobre o investimento de R$ 15,1 mil; a validação definitiva do valor está agendada para fev/2027.
C3 O bloqueio foi efetivo — o problema parou de recorrer?
O bloqueio foi efetivo. A queda aconteceu exatamente onde as causas foram bloqueadas — bicos 5 a 8 e horas pós-troca — e a anomalia parou de recorrer: os ajustes manuais por deriva, que lideravam a folha de verificação com 92 ocorrências, praticamente desapareceram durante o piloto, e nenhum bico voltou ao comportamento antigo. Não precisei voltar à etapa de Observação: a causa estava certa.
C4 Houve efeitos secundários, positivos ou negativos?
Nenhum efeito secundário negativo: zero subpeso registrado e produtividade preservada — os dois riscos mapeados no plano. Como efeito positivo, os operadores deixaram de gastar tempo com correções manuais de dosagem e o início de produção pós-troca ficou mais previsível. O 0,2 ponto percentual até a meta está mapeado no que ainda não entrou: carta de controle por bico e treinamento do 3º turno, ambos em dez/2026.
Agir
POP publicado, OJT nos 3 turnos, troca trimestral de vedações e carta de controle por bico: o padrão segura o ganho para a anomalia não voltar.
Para o resultado não escapar de volta, o novo jeito de trabalhar virou padrão. O POP (Procedimento Operacional Padrão) POP-ENV-012 registra o setup revisado com ajuste fino por bico e a conferência de 20 pacotes por bico após cada troca, e a troca das vedações virou tarefa trimestral no sistema de manutenção — o furo do plano que deixou a causa nascer foi corrigido na origem. O treinamento no padrão é OJT (On the Job Training, treinamento no posto de trabalho), com registro assinado, fechando os 3 turnos em dez/2026. O sobrepeso segue como item de controle em carta por bico no quadro de gestão à vista, com plano de reação definido e Patrícia Gomes como dona do processo. Ficam para o próximo giro: fechar os 0,2 p.p. até a meta, atacar a variação de densidade dos lotes e replicar o bloqueio nas demais linhas em 2027.
A1 Qual POP foi criado ou revisado — e o que exatamente mudou nele?
Publiquei o POP-ENV-012 (Procedimento Operacional Padrão) com o setup revisado: ajuste fino de peso por bico, novo alvo de dosagem definido pelos testes práticos e conferência obrigatória de 20 pacotes por bico na balança automática após cada troca de produto. Mudou também o padrão de manutenção: a troca das vedações dos bicos, que não existia no plano, virou tarefa trimestral cadastrada no sistema, com registro obrigatório de componente e causa.
A2 Quem executa o processo foi treinado no novo padrão (OJT), com registro?
Sim. Os operadores dos turnos 1 e 2 foram treinados no novo padrão por OJT (On the Job Training, treinamento no posto de trabalho) durante o piloto, com lista de presença assinada, e o 3º turno conclui o mesmo treinamento em dez/2026 (R$ 2,4 mil), quando o padrão entra também no quadro de gestão à vista da linha. Nenhum operador executa o setup novo sem o registro de treinamento arquivado.
A3 Qual controle garante que o resultado se mantém?
O item de controle é o sobrepeso por bico, acompanhado em carta de controle simples alimentada pela balança automática e exposta no quadro de gestão à vista, vigiando a meta de até 1,4% e a variação por pacote rumo a 3,2 g. Ao soar o alarme, o plano de reação manda verificar o bico sinalizado, conferir a vedação e refazer o ajuste conforme o POP-ENV-012 — sempre antes de qualquer correção manual do alvo. A dona do processo é Patrícia Gomes (Gerência de Produção), com revisão de 30 dias em jan/2027.
A4 Quais problemas remanescentes ficaram — e qual o próximo ataque?
Remanescentes: os 0,2 ponto percentual até a meta de 1,4%, que dependem da carta de controle por bico e do treinamento do 3º turno (dez/2026), e a variação de densidade do biscoito entre lotes — hipótese descartada como causa principal, mas dona de 13,1% das ocorrências —, que é o alvo do próximo giro do MASP. A replicação do bloqueio nas demais linhas de envase está planejada para 2027, e a validação definitiva do ganho com o Financeiro para fev/2027.
A5 Qual o balanço do aprendizado — sobre o problema e sobre o método?
Sobre o problema, três lições: a média geral escondia a anomalia real de 4 bicos específicos, um padrão de setup defasado gera perda crônica invisível e manutenção sem histórico por componente não protege o processo. Sobre o método, a maior: testar hipóteses com dados antes de agir nos salvou de gastar com climatização e classificação de lotes — as explicações “óbvias” que os números descartaram. Observar no Genba antes de opinar virou regra da equipe.
Com a causa fundamental comprovada com dados e bloqueada na origem, o piloto de 2 semanas na linha 02 derrubou o sobrepeso médio de envase de 3,4% para 1,6%, sem nenhuma ocorrência de subpeso, com a produtividade mantida e sem recorrência da anomalia nos bicos atacados — trajetória compatível com a meta de 1,4%. O ganho estimado é de R$ 826 mil/ano em produto recuperado, com payback de 2 meses sobre o investimento de R$ 15,1 mil.
Pronto pra resolver o problema crônico da sua área?
Use este case como referência de profundidade — quantifique o problema, prove a causa raiz com dados, verifique o bloqueio na mesma métrica e padronize pra ele não voltar.
